quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
SOLIDARIEDADE
Tem coisas que questiono. Todo dezembro me faço a mesma pergunta: por que temos que ser solidários com os desafortunados, azarados, desgraçados em dezembro? Por que não em fevereiro, por exemplo? Ah... Porque em dezembro nasceu Jesus... Ah, tá. Não consigo entender por que em dezembro chovem bilhetinhos de filhos de vizinhos pedindo caixinhas de bombons, roupas usadas, brinquedos velhos.... Quem foi que disse que dezembro é o mes de nos livrarmos das coisas que não queremos? Quem nos garante que pobre quer o que não queremos? E aqueles que fazem reunião na igreja do bairro para oferecer "cachorro quente" e de sobremesa uma "nega-maluca"??? Longe de mim criticar quem faz alguma coisa, mesmo que seja só em dezembro. Mas, convenhamos: não adianta nada. Primeiro que roupa velha que não queremos mais, pode ser espalhada pelo chão e dar voltas ao mundo que não enche barriga de ninguém. Dar comida, é claro que ajuda, mas não resolve nenhum problema. Estes seres, tão benevolentes e cheios de caridade, deveriam acompanhar o rendimento escolar dessas crianças e não apenas dar-lhes um cachorro quente em dezembro! O rendimento escolar poderá encher barriga, agora um cachorro quente em dezembro pode, quando muito, dar um belo desarranjo intestinal!
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2 comentários:
Oi Irene. Linda mensagem e repleta de verdades. Quando deparo-me com uma colocação como essa sempre me pergunto: Nós seres humanos colocamos o problema, a solução, e depois paralizamos, como se já tivéssemos feito nossa parte. Ora, junte um grupo e faça isso acontecer todos meses/semanas. Minha irmã fez isso e dai nasceu um grupo que se chama "Pão Nosso", eles montam cestas básicas todos os meses e mais, montam padarias comunitárias por intermédios de ONGS.
Beijos
Daniel
É verdade, Daniel... Às vezes me dá a impressão que aquele pão com salsicha de dezembro e a doação de roupa que não serve, é muito mais, um tranquilizador de consciência ao próprio doador. Perto da minha casa tem uma padaria comunitária. Quando sobra massa, eles jogam nos terrenos baldios do bairro... Um horror. Em país onde se joga comida fora, não existe fome. Isso, dizia a minha mãe. E ela sabia o que é passar fome.
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