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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

CAMINHAR

Há mais de 20 anos caminho, pontualmente, às 06:00 hs., da manhã, faça chuva, faça sol, no inverno ou no verão. É a oxigenação do meu cérebro. Comecei este hábito (quase vício) com o primeiro cachorro que eu tive, um husky siberiano que só fazia o que ele queria, quando ele queria e SE ele queria. Andar comigo era tudo que ele fazia por mim, com visível prazer. O resto: não fazia e pronto. Desisti treiná-lo. O treinador também. Sou contra castigos além do suficiente para corrigir. Torturar, não! e o treinador pediu as contas. Descobri com este ser, quadrúpede e irracional, que quem treina cachorros não é para educá-los. É para se mostrar: dá a patinha! deita! rola! morto! Convenhamos: para quê?? Para que servem estas demonstrações, que não para o próprio dono se sentir orgulhoso?...
Este husky, logo, ganhou um companheiro. Um leal, dócil e valente companheiro: um pastor alemão. Que também não foi treinado. Nem tentei, porque não precisou. Acho que nasceu treinado. Observador. Sabia exatamente o que eu queria que ele fizesse. Bastava olhar para ele. E, claro, desde que eu o levasse para passear todos os dias.... E, foi assim que meu vício começou. O husky, de velhinho, morreu e veio a Zara. Pastora. Jamais cavou um buraco no jardim. O pastor mais velho, já com 10 anos, a educou. Ela tentava fazer buraco: o pastor fungava, ela parava. Pena não ter filmado. E, logo, logo, Zarinha começou a nos acompanhar nos passeios. O pastor (Tuko) foi embora procurar seu fiel amiguinho lá no céu, e Zarinha ganhou uma vira-lata. Negra como a noite que não tem luar: Pepita. Zarinha, hoje, tem 10 anos e a Pepita 6. Todo este "introito" para chegar na Tiquinha. Tiquinha, na verdade um pequeno terremoto, nos encontrou na rua, num domingo qualquer e começou a nos seguir. Primeiro com Zarinha e Pepita revoltadas com este elemento desconhecido. Depois, acho que se cansaram. Estavamos longe de casa, uns quatro ou cinco quilometros (sim, nós caminhamos muito) e Tiquinha, insistente e pequenina, continuava nos seguindo. Chegamos em casa, Tiquinha entrou, claro. E lá ficou e pronto. Hoje quem manda na casa é ela. Todos obedecem. Inclusive eu.

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